Fazer da morte de todos os dias uma veste
No tom de ossada de folha
Tão frágil e quebradiça, um dia já foi viço
Vício que tenho é de metamorfoses
Despir-me do mesmo sem mirar espelho
Perder-me nos ventos da mudança
Estirando o seco num tapete vermelho
No qual desfiladeiros desfilam
Alheios aos pés que pisam
Esmagam as folhas como borrões
Uma pena não dar a mínima à folha que voa
E dar a vida por uma flor
Ninguém jamais entendeu de valor
Nem como a natureza conta
Outono não é outra coisa
Senão virar a página.

Gostou? Não esquece de deixar o seu comentário!

Poeta e escritor nas horas vagas e não vagas. Instagram: @purapoesiaa