A linha de ônibus segue o mesmo fio
Costurando o trânsito e engolindo formigas
Cabeças pesadas recostam-se no vidro
Mais algumas horas perdidas…

Olhares cegos caminham rua afora
Esmagando mudas em meios-fios
Fisgando-se por outdoors dilacerados
Na chuva, canto da pista faz rio
Carro veloz cria cachoeira
E guarda-chuva não guarda nada…

Sob sombra fria de arranha-céu
Mãos sofridas se estendem
Passos perfumados passam fugazes
Atrasados, olhos furados pelo ponteiro
A inimiga da perfeição está por todo lado
Quem não vê está perdido
Vida de metrópole é não ter vida
Sonho de cidadão é não ser cidade…

Poeta e escritor nas horas vagas e não vagas. Instagram: @purapoesiaa